As estréias desta sexta-feira nos cinemas de São Paulo
Anjos da Noite não arrisca e apela para estética de Matrix
É cada vez mais inegável que a estética criada pelos irmãos Wachowski para a trilogia Matrix realmente mudou o cinema de ação em Hollywood. Anjos da Noite - Underworld pode ser considerado mais um subproduto da franquia que consagrou Neo, Morpheus e Trinity e seu exército de rebeldes.
Mesmo assim, o fato do estreante diretor de Anjos da Noite - Underworld Len Wiseman beber da fonte de Matrix não compromete a fita, que consegue garantir divertimento com uma história bem contada ainda que repleta de clichês.
O roteiro acerta em cheio o gosto de fãs de jogos de RPG como Vampire e Werewolf. O submundo da terra é palco de uma guerra milenar entre vampiros e lobisomens, que lutam por sua supremacia.
Selena (Kate Beckinsale) é uma vampira e líder de um grupo de justiceiros que caçam lobisomens. Em uma de suas investidas noturnas ela encontra Michael (Scott Speedman), um humano procurado pelos licantropos (nome científico dos lupinos).
As Bicicletas de Belleville explora humor melancólico
Indicado ao Oscar de 2004 em duas categorias - Animação e Canção -, As Bicicletas de Belleville, de Sylvain Chomet, é mais um daqueles belos desenhos animados com potencial para agradar a todos os públicos, independente da faixa etária.
Com um traço que beira a caricatura e capricha na exploração dos detalhes e ambientação, o trabalho do desenhista Evgeni Tomov lembra muitas vezes uma aquarela animada, onde anárquicas criaturas que parecem saídas da imaginação de Jacques Tati surgem a cada instante. Inspiração, aliás, assumida pelo próprio diretor.
Sem abrir mão de um tipo de humor mais sofisticado e contido, o diretor mantém seus personagens presos a um mundo nostálgico, identificado por uma ambientação carregada de pequenos objetos e utensílios que fazem parte do passado das famílias.
Johnny Depp estrela suspense baseado em livro de Stephen King
Stephen King já escreveu sobre um escritor e um fã maluco confinados em uma casa em Angústia. E o roteirista e diretor David Koepp já mostrou que gosta de filmes sobre pessoas sob forte pressão em espaços claustrofóbicos, como O Quarto do Pânico, Ecos do Além e Apartamento Zero.
Assim, Janela Secreta deveria ser um daqueles filmes cheios de tensão e ansiedade. É verdade que a produção, escrita e dirigida por Koepp e inspirada em um conto de King, consegue alcançar momentos de grande suspense.
Mas o filme mostra suas intenções muito cedo e confia demais em um único ator, Johnny Depp, para alcançar sua força emocional. Depp está muito bem como um romancista que sofre com um bloqueio de escritor. O filme também começa prometendo bastante, com várias coisas acontecendo ao mesmo tempo - todas intrigantes.
Documentário Prisioneiro mostra Carandiru antes do fim
Por mais que as imagens poderosas do filme Carandiru tenham colado nas retinas de um público recorde de 4,5 milhões de espectadores, o documentário O Prisioneiro da Grade de Ferro terá ainda algo a dizer, funcionando, mesmo sem intenção, como uma espécie de contraponto e até de complemento ao relato ficcional do diretor Hector Babenco.
Partindo do mesmo universo - o então maior presídio da América Latina, o Carandiru -, o documentário de Paulo Sacramento procurou inverter a mão do cinema, entregando câmeras digitais aos presidiários para que filmassem sua própria versão do que acontecia dentro daquelas paredes.
Depois de um curto treinamento com Sacramento e o diretor de fotografia, Aloysio Raulino, os detentos filmaram uma série de cenas cotidianas que procuram armar um diálogo com quem está de fora.
John Malkovich está em O Retorno do Talentoso Ripley
O assassino Tom Ripley, criado pela escritora Patricia Highsmith, volta mais refinado ainda com o filme O Retorno do Talentoso Ripley, da diretora italiana Liliana Cavani.
Autora de obras policiais densas, a escritora texana, que vivia isolada com seus gatos e rosas em pequenos vilarejos europeus até sua morte, em 1995, escreveu cinco livros com o personagem.
Dois deles viraram filmes: O Sol por Testemunha, adaptado primeiro pelo francês René Clément, em 1960, e depois pelo norte-americano Anthony Minghella, em 1999 (com o nome de O Talentoso Ripley), e O Amigo Americano, adaptado pelo alemão Win Wenders e agora por Liliana Cavani.
Complexo personagem, nem sempre bem compreendido em suas nuances pelos diretores de cinema, Ripley ganha neste filme sua mais perfeita tradução, graças principalmente ao trabalho de John Malkovich.
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