Caetano Veloso é aplaudido por cinco minutos no Carnegie Hall de Nova York

O cantor Caetano Veloso apresentou-se com muita ginga brasileira nesta sexta-feira no palco do Carnegie Hall de Nova York, onde foi aplaudido por 2.800 pessoas. Os ingressos para o show "Perspectivas" esgotaram-se em uma semana.

Atraídos pelo bom critério da apresentação, alguns esperavam que fossem também interpretadas músicas do compositor clássico brasileiro Heitor Villa-Lobos; outros, de língua hispânica, queriam ouvir "Currucucú Paloma" e o repertório em espanhol do disco "Fina Estampa".

Aos 40 anos de carreira, o artista de Santo Amaro, Bahia, alegrou a todos com um "smorgasbord", palavra tomada do sueco pelo inglês, de difícil tradução, que serve para referir-se a um festival de coisas diferentes.

Na realidade, "foi uma celebração da variedade, de diferentes ritmos e diferentes lugares. O toque pessoal foi dado com o Nirvana, o rap, e inclusive peças tradicionais", sustentava Daniel Losk, um hondurenho de 27 anos que levou a noiva e os sogros americanos ao show. A base da apresentação foi "A Foreign Sound", o disco recentemente lançado.

Veloso explicou ao público o conflito que representava para ele cantar numa língua que definiu como "a do império". "O português é um gueto", disse, mas quando "se pensa no inglês, pensa-se realmente em poder". Agora bem, "me pergunto o que seria o mundo sem essas maravilhosas canções norte-americanas", acrescentou Veloso, que teve um primeiro contato com Nova York através de um disco gravado ao vivo no Carnegie Hall de Judy Garland que costumava ouvir com a irmã, Maria Bethania. Veloso explicou sua visão de Nova York através de "Manhat (Manhattan)", aquela canção na que se define o bairro-coração da cidade como uma "menina bonita que morde a polpa da maçã". De presente para o público, depois de cinco minutos de aplausos que o obrigaram a voltar de novo ao palco, Veloso cantou a "Garota de Ipanema" e "Mamãe eu Quero".
Fonte: AFP