Festival de Cannes traz "soco no estômago" de Almodóvar
Por: Sérgio Dávila
Com um soco numa mão e um carinho na outra. Foi assim que o Festival de Cannes recebeu os visitantes de sua 57ª edição ontem, no balneário francês que lhe empresta o nome, exibindo na primeira sessão de cinema e em sua abertura oficial o novo filme de Pedro Almodóvar, "La Mala Educación" (a má educação, um jogo de palavras com os que não têm educação e os que foram educados de maneira errada).
Polêmico, forte, bem feito, o filme inédito do diretor espanhol de 52 anos é um título digno do mais prestigioso festival de cinema do mundo, que de quebra viu a ameaça de greve de trabalhadores técnicos ser dissolvida num acordo de última hora.
Ao narrar três triângulos amorosos diferentes, que se passam em 1964, 1977 e 1980 e acabam envolvendo as mesmas quatro pessoas, o 16º longa de Almodóvar faz uma bonita homenagem ao gênero noir norte-americano ao mesmo tempo que desfere uma bofetada certeira na prática da Igreja Católica de varrer para debaixo do tapete a prática criminosa de pedofilia de alguns de seus membros. Sobram criticas para a classe artística e até ao Ministério da Cultura espanhol.
Exibido fora de competição (Almodóvar foi melhor diretor e prêmio especial do júri em Cannes em 1999, com "Tudo sobre Minha Mãe"), o thriller gay é, ao lado do imediatamente anterior, "Fale com Ela" (2002), o filme mais maduro do espanhol, almodovariano da abertura ao final, com seus excessos, cores fortes, flerte com a marginalidade e trilha sonora muito bem cuidada.
Fonte: UOL Cinema
0 Responses to
Something to say?