Quentin Tarantino é a arma secreta do Festival de Cannes

Por: Rubens Evald Filho
No ano passado, a opinião foi unânime: a edição de Cannes foi considerada a pior de todos os tempos, apesar de ter lançado "Dogville", "Sobre Meninos e Lobos" e "Invasões Bárbaras". Daí a responsabilidade de a edição deste ano, que começa hoje, restituir ao festival seu antigo prestígio, abalado pelas mudanças administrativas (nova equipe de seleção, menos filmes concorrentes).

A arma secreta deles chama-se Quentin Tarantino, que deve a Cannes sua revelação e que este ano, como presidente do júri, promete dar entrevistas divertidas e surpreendentes, além de impor sua vontade ao resto do júri, que não tem grandes personalidades: as atrizes Kathleeen Turner, Tilda Swinton e Emmanuelle Beárt, o diretor americano Jerry Schatzberg, o diretor de Hong Kong Tsui Hark, o crítico finlandês Peter Von Bagh e a roteirista americana Edwige Danticat. Ou seja, Tarantino vai mandar e desmandar. E não me consta que ele tenha especial afeição por Che Guevara ou pela América Latina (o que já prejudica Walter Salles e seu "Diários de Motocicleta").

Mas em Cannes nada se faz sem lobby -muito mais que no Oscar. E ccertamente se deve a Salles o fato de a retrospectiva deste ano ser sobre o cinema brasileiro (para ter uma idéia do prestigio disso, no ano passado foram os filmes de Fellini!), que se chama "Um Tributo ao Cinema Brasileiro: 40 anos de Cinema Novo".

Serão exibidos "Macunaíma" (1969), de Joaquim Pedro de Andrade, com cópia restaurada pela Cinemateca, "Vidas Secas" (1963), de Nelson Pereira dos Santos, "Deus e o Diabo na Terra do Sol" (1964) e "Terra em Transe" (1967), de Glauber Rocha, "Bye Bye Brasil" (1979), de Carlos Diegues, "Dona Flor e Seus Dois Maridos" (1976), de Bruno Barreto, e o Palma de Ouro "O Pagador de Promessas", para Anselmo Duarte não ficar chateado. O único filme discutível nessa seleção é "Dona Flor", que não é bem Cinema Novo...

Durante o festival também serão exibidos "Labirinto do Brasil", documentário de Silvio Tendler sobre Glauber Rocha, e "Quimera", de Erik Rocha, filho de Glauber, que concorre na categoria de curta-metragem.
Fonte: UOL Cinema