Estréia da semana nas telonas

Homem-Aranha 2 volta sentimental, sem esquecer a ação
É apenas sua segunda aparição no cinema, mas os responsáveis por Homem-Aranha 2 já decidiram dotar seu super-herói de uma crise de identidade e aprofundar a complexidade emocional de uma série que começou em tom muito leve.

Pelo menos é isso que parece - se não, para que contratar o roteirista Alvin Sargent (Julia, Gente Como a Gente) para escrever um filme de ação para o verão norte-americano? Na verdade, foi uma iniciativa inteligente, já que os conflitos interiores do Homem-Aranha são tão interessantes quanto suas batalhas internas e servem para fortalecer ainda mais seus laços românticos com a mulher de sua vida, Mary Jane Watson.

Tobey Maguire e Kirsten Dunst recriam os dois papéis principais, e o diretor Sam Raimi está de volta ao leme, ao lado de boa parte de sua equipe de produção. Tudo indica que o filme suba à estratosfera das bilheterias, como fez o primeiro da série, que acumulou US$ 820 milhões em todo o mundo. A previsão é que Homem-Aranha 2 alcance cifra semelhante.


Argentino Lugares Comuns reflete dilemas da maturidade
O cinema argentino comprovou mais uma vez sua ótima forma com Lugares Comuns. O filme foi premiado no Festival de Gramado 2003 com o troféu de melhor atriz, na seção latina, para a excelente veterana Mercedes Sampietro.

O enredo sintoniza um tema muito sensível para os brasileiros - o sentimento de deslocamento de boa parte da população madura, que se sente expulsa do próprio país pelo desemprego, a falta de perspectivas e a luta por, apesar de tudo, ficar naquela que é, afinal, sua pátria.

Essa procura de enraizamento é apenas o ponto de partida para o professor universitário Fernando Robles (Federico Luppi). Aposentado contra a vontade e confrontado com a perspectiva de uma drástica queda em seus rendimentos, num país onde a economia mingua a olhos vistos, o velho professor viaja com a mulher, a assistente social Liliana (Mercedes Sampietro), para a Espanha, onde vive seu filho Pedro (Carlos Santamaría).


Pedaços de um touro morto criam as Estranhas Ligações
O estilo pesa bem mais do que o conteúdo em Estranhas Ligações, o excessivamente longo. O filme explora as conexões misteriosas entre um grupo de personagens díspares tendo como premissa uma linha ainda mais tênue do que de costume em filmes como esse.

A premissa, no caso, é o acompanhamento do que acontece com as diversas partes do corpo de um touro morto depois de ferir gravemente um toureador espanhol. Delphine Gleize demonstra imaginação e intuição visual inegáveis no filme, mas dificilmente o espectador deixará de sentir que foi feito um esforço muito grande para resultar num efeito muito pequeno.

Começando com a tourada fatídica, o filme segue o rastro das partes do animal depois de morto, partindo de uma cena num matadouro de animais que poderia muito bem ser utilizada como vídeo de promoção do vegetarianismo.


Corações Livres é salvo do melodrama pelo Dogma 95
Aderindo às diretrizes rígidas do movimento cinematográfico Dogma, a diretora dinamarquesa Susanne Bier parte de um material potencialmente melodramático e o transforma em algo realmente instigante e comovente em Corações Livres.

O filme segue as normas do manifesto Dogma 95, com regras que exigem o uso de nada mais do que a luz e o som ambientes disponíveis. Mas, diferentemente da maioria dos outros trabalhos anteriores criados dentro dessa estrutura enxuta ao extremo, Corações Livres é Dogma dotado de uma espinha dorsal emocional forte.