Por: Ronaldo Hung



 
 
Semana com a estréia de “Mulher-Gato” dominando o circuito pipoca dos cinemas, além da comédia romântica teen “Um Príncipe Em Minha Vida”. Correndo por fora, o novo Woody Allen e “Connie e Carla”.

MULHER-GATO (Catwoman, EUA/2004)
Depois de tanto falarem, finalmente foi produzido o filme da personagem Mulher-Gato, sem o Batman e com a estrela Halle Berry. O boato surgiu desde quando Michelle Pfeiffer vestiu a roupa de couro e interpretou a felina em “Batman - O Retorno”. Desde então, muito se comentou, até o resultado que estréia sexta nos nossos cinemas.
Propositalmente, o clima é bem estilizado, visivelmente computadorizado (às vezes até escuro demais). E o visual meio sadomasoquista parecia inevitável mesmo. Halle continua muito bonita (Ashley Judd e Nicole Kidman chegaram a ser cogitadas para o papel; Michelle Pfeiffer recusou) e depois do Oscar (pelo filme “A Última Ceia”) e de já ter uma personagem de quadrinhos no currículo (ela foi a Tempestade em “X-Men”), parecia ser uma boa escolha. Além disso, ela havia sido bond-girl no último 007 (“Um Novo Dia Para Morrer”).
Mas, ao que consta, o filme não decolou. Talvez por ignorar o próprio universo de Batman (a personagem dela nem é a mesma dos quadrinhos, Selina), ou por ter se preocupado mais com a forma do que com o conteúdo. A crítica torceu o nariz e o público parece que não engoliu o peixe (a bilheteria americana foi considerada fraca).
De qualquer forma, desperta curiosidade e traz a sumida Sharon Stone de volta às telas, como a vilã da estória (mas ela está esquisita, caricata). Ah, a estória: Halle é uma desastrada que trabalha numa fábrica de cosméticos e esbarra num segredo industrial (um novo creme que deformaria o rosto das mulheres). Morre por isso e volta como a Mulher-Gato.
Levando-se em consideração que mesmo Batman já teve filmes duvidosos realizados, não é o fim do mundo. E talvez melhore em vídeo e dvd. Com tantos personagens dos quadrinhos invadindo as telas, resta saber se ela vai conseguir se tornar uma nova franquia ou não... (Halle já disse que toparia uma continuação).


IGUAL A TUDO NA VIDA (Anything Else, EUA/2003)
Novo trabalho de Woody Allen (co-produzido pela DreamWorks de Spielberg), esta comédia tem um elenco jovem, diferente do habitual do diretor. No papel principal, Jason Bigs (de “American Pie”) é o alter-ego da vez. Ele, que nunca pareceu muito promissor, parece que se sai bem, mesmo porque vive um comediante envolvido com a maluquinha Christina Ricci (que dividiu a tela com Charlize Theron em “Monster”) e que ainda tem que aturar seu empresário chato (Danny DeVito).
O diferencial está na figura do próprio Allen, que surge como o amigo, confidente e conselheiro do rapaz. Papel sob medida para que o diretor (também roteirista) coloque em pauta todas as suas neuroses sobre a vida, relacionamentos, etc. e etc. Ainda no elenco, o comediante Jimmy Fallon (do Saturday Night Live). E como Allen sempre coloca uma pitada de jazz em seus trabalhos, aqui a dose fica garantida com a presença da bela voz (e bela presença) de Diana Krall. Quem conhece o trabalho do diretor já sabe o que esperar na tela. E é provável que Allen ganhe um novo público ao trabalhar com rostos conhecidos da geração teen. Não que ele precise disso para provar alguma coisa, ou faça alguma diferença. Uma comédia com grife.


UM PRÍNCIPE EM MINHA VIDA (The Prince & Me, EUA/2004)
Comédia romântica estrelada pela talentosa Julia Stiles (de “10 Coisas Que Odeio Em Você”), que parece uma variação de “A Princesa e o Plebeu” (Roman Hollyday”, com Gregory Peck e Audrey Hepburn), óbvio que guardadas as devidas proporções. No caso é o inverso: uma talentosa estudante de medicina, toda idealista, um dia conhece e se apaixona por um rapaz, que, surpresa, é o príncipe da Dinamarca.
A diretora Martha Coolidge realizou “Os Três Desejos” (Three Wishes, com Patrick Swayze), “Dois Parceiros em Apuros” (Out of Sea, com Jack Lemmon e Walter Matthau), além de já ter dirigido episódios da série “Sex & The City”. Uma “pipoca doce”, que serve para distrair quem não exigir muita coisa. No elenco, Miranda Richardson.


CONNIE E CARLA - AS RAINHAS DA NOITE (Connie and Carla, EUA/2004)
Parece uma mistura de “Thelma & Louise” com “Priscila, a Rainha do Deserto” este novo filme da roteirista e atriz de “Casamento Grego”, Nia Vardalos. A estória também lembra “Quanto Mais Quente Melhor” (o clássico de Marilyn Monroe, de novo): duas cantoras (Nia e Toni Collete) presenciam um crime da máfia e fogem disfarçadas de drag queens, fazendo o maior sucesso por onde passam. Com clima de musical (até a veterana Debbie Reynolds, de “Cantando Na Chuva” aparece), a fita é divertida, leve e competente, com resultado bem semelhante a “Casamento Grego”. Também no elenco, David Duchovny (o Agente Mulder de “Arquivo X”), que serve de interesse romântico para uma delas. Um bom passatempo.