Outras estréias da semana nas telonas

O Agente da Estação cativa com amizades improváveis
Um anão herda uma estação de trem em Nova Jersey e faz amizade com uma artista e um vendedor de cachorro-quente. Você vai sair correndo de casa para ver esse filme? Provavelmente não, mas é essa toda a magia dos longas exibidos em festivais de cinema. Trabalhos que jamais caberiam em formatos comerciais ou que se baseiam em argumentos solitários constituem pedras preciosas que só poderiam ser garimpadas em lugares como Sundance.

O Agente da Estação transcende qualquer sinopse. A história gira em torno do baixinho Finbar McBride (Peter Dinklage), mais conhecido pelas poucas pessoas que lhe são mais próximas como Fin. Ele é alguém que resguarda sua privacidade a todo custo mas que, por conta de seu tamanho, constantemente se vê atraindo atenções indesejadas.

Diariamente Fin suporta as observações e piadas cruéis de estranhos. Na realidade, essas crueldades impessoais o levaram a isolar-se por trás de uma espécie de muralha de proteção, que o mantém a salvo do mundo externo.

Irmãs Gêmeas mostra destino diferente de duas mulheres
De Tweeling (Irmãs Gêmeas) é um romance de Tessa de Loo, já conhecido de mais de 3,5 milhões de leitores alemães e holandeses, sobre os caminhos muito diferentes seguidos por duas gêmeas que são separadas ainda na infância. Sob a direção competente de Bem Sombogaart, a história foi transformada num filme respeitável e bem representado.

Partindo de uma adaptação bem construída por Marieke van der Pol, o diretor Sombogaart começa fazendo o relógio voltar até 1925, quando Anna e Lotte, gêmeas de 6 anos de idade, são separadas por seus parentes, após a morte de seus pais.

A inacreditável alegoria brasileira de João Carlos Martins
Na mesma linha de Nelson Freire, de João Moreira Salles, A Paixão Segundo Martins, da documentarista alemã Irene Langemann, mostra o homem por trás do artista. No caso, o pianista brasileiro João Carlos Martins, um dos mais renomados intérpretes de Bach, reconhecido em todo o mundo.

Muitas vezes comparado ao pianista Glen Gould, Martins começou sua carreira nos anos 1960. Pouco tempo depois, enquanto jogava futebol no Central Park, em Nova York, sofreu um acidente que afetou os movimentos do braço e da mão direita. Essas dificuldades o obrigaram a suspender temporariamente a carreira e investir na atividade empresarial.

Mas a paixão de Martins por seu piano e por Bach foi tão grande que ele superou os maiores obstáculos físicos em nome da música - chegando a tocar apenas com a mão esquerda. Mas o documentário não se detém apenas na carreira do consagrado pianista.

A Jornada de James para Jerusalém" alia humanismo a humor
Israel é um país complexo, mas reduzido a vilão pelos maniqueístas de plantão. A crescente exibição de filmes israelenses no Brasil serve um pouco como "outro lado" à demonização do país em muitos círculos.

Não que sejam filmes ufanistas e patrióticos. Pelo contrário. De obras como "Kadosh" e "Kipur" (de Amos Gitai), "Yossi & Jagger, Delicada Relação" (Eytan Fox) e "Promessas de um Novo Mundo" (B.Z. Goldberg, Justine Shapiro e Carlos Bolado) partem visões críticas do país fundado em 1948.

Mas ver o israelense nesses filmes --sua eventual compaixão pelos palestinos, seu drama pessoal de travar uma guerra que parece perpétua ou sua luta contra a opressão de mulheres e homossexuais-- esclarece um público acostumado a vê-lo apontando fuzis para crianças com pedras.

Este "A Jornada de James para Jerusalém", de Ra'anan Alexandrowicz, usa o humor para mostrar como Israel, apesar de todas as suas particularidades, parece cada vez mais com o planeta --excetuando-se, e põe exceção nisso, o conflito com os árabes, que quase não aparece no filme.

Amor é a bandeira em filme político-juvenil
"Para Sempre na Minha Vida" é um filme a ser entendido na tríade temática "ambiente escolar, alunos e autoridade". Curiosamente, o tempo atual vem mostrando versões de certo modo simpáticas à autoridade.

Se pensarmos neste filme e em "Ser e Ter", documentário que disseca o equilíbrio natural de uma escola, a idéia procede. Se "Ser e Ter" louva ordem e o carinho duro existente na figura passadista de um professor, o filme italiano conclui que a excitação política de esquerda é febre tão radiante quanto bobinha, aos 16 anos. Artefatos poderosos seriam mesmo a descoberta do amor e a compreensão da mocidade como ciclo de pequenos eventos especiais que se reeditam.

Alunos lutam contra a privatização de sua escola. Conquistam fisicamente a instituição, vivem enredos românticos e se deslocam de moto por Roma, onde o filme rabisca um painel colorido do que é ser jovem. Discursos são diluídos em superficialismo que assusta, mas a forma com que Muccino conduz a história denuncia um romantismo de quem é casado com a primeira namorada, ou coisa do tipo.