Por: Ronaldo Hung



 
 

Semana com boas estréias, destacando-se o novo Spielberg, “O Terminal”, e a produção nacional “Redentor”.

O TERMINAL (The Terminal, EUAl/2004)
Steven Spielberg de volta ao circuitão, dessa vez dirigindo (e não apenas produzindo). O astro é Tom Hanks, que volta a atuar sob as asas de Spielberg (a dupla já fez “O Resgate do Soldado Ryan”, de 1998, e “Prenda-me Se For Capaz”, de 2002). A estória é praticamente toda passada em um aeroporto. No caso, o JFK, em Nova York, que foi todo reconstruído em estúdio, num trabalho de encher os olhos. Hanks é um imigrante, Viktor, que descobre que uma guerra acabou com sua pátria e, portanto, seu visto expirou. A inusitada situação gera outra, tão estranha quanto: ele passa a viver no terminal, ficando amigo de todo mundo e vivenciando o estranho “ecossistema” que é toda aquela multidão que vem e vai (pelo que consta, a inspiração vem de um fato real: um iraniano que vive em um aeroporto francês.

Tom Hanks está bem na sua composição, emprestando uma humanidade necessária ao personagem. Como estrangeiro, ele precisa enriquecer o seu vocabulário, gerando boas piadas, nesta fábula sobre a vida. E entre as figuras do aeroporto, eis que surge Catherine Zeta-Jones de comissária de bordo (e por falar em fantasias...). Enfim, a fita é um pequeno “ensaio hollywoodiano” de como encarar adversidades e enfrentar a vida. Se não chega a fazer pensar muito, o que talvez nem seja a sua proposta, “O Terminal” diverte e tem a marca Spielberg, que sabe como poucos contar uma boa história (Prenda-me se For Capaz, por exemplo). O que já justifica um ingresso.

IRMÃOS DE FÉ (Idem, Brasil/2004)
Falem bem, falem mal, o padre Marcelo Rossi sabe o poder que o cinema tem enquanto veículo de comunicação, podendo entreter e também influenciar as pessoas (ou pelo menos, convidar à reflexão). E ele, aliado a um time de estrelas, parece que descobriu a fórmula para unir religião e comunicação. Junto com o diretor Moacyr Góes, realizou “Maria, Mãe do Filho de Deus” no ano passado, com boa recepção. A dupla retorna com os mesmo ingredientes. Desta vez, o foco da estória é na vida do apóstolo São Paulo, judeu convertido pela fé, vivido por Thiago Lacerda. Não cabe aqui discutir a fé de ninguém. E o filme não chega a ser polêmico. Ele é o que se propõe enquanto entretenimento; uma espécie de cartilha cinematográfica que tem como tema a Bíblia. Para um público específico, já fiel seguidor do padre Marcelo e do seu “estilo” de amar a Deus.

O AGENTE TEEN 2 (Agent Cody Banks 2: Destination London, EUA/2004)
Seqüência de “O Agente Teen”, de 2003, já disponível em dvd. O personagem Cody Banks é um 007 adolescente, que faz parte de uma ramificação teen da CIA. Não parece muita coisa, mas diverte e serve como passatempo. Agora, a missão é recuperar um aparelho que controla mentes (de novo?) e enfrentar um ex-agente. Detalhe: a estória agora é ambientada em Londres (nada mais apropriado para um filme de espionagem). Quem curte séries cômicas da TV, conhece o ator principal, Frankie Muniz, da série Malcom (exibida pela Record). Com boa produção, ritmo de comédia, uma bela garota (Hannah Sperarritt, do grupo “S Club 7”), é uma produção extremamente pipoca. Daquelas que até funcionam melhor depois em casa, no vídeo. Mas não chega a incomodar, nem decepcionar. Desde que não se espere grandes lances.

REDENTOR (Idem, Brasil/2004)
Produção nacional dirigida por Claudio Torres, filho de dois ícones (Fernanda Montenegro e Fernando Torres) e sócio da Conspiração Filmes, uma das mais bem-sucedidas produtoras do país. E os nomes famosos não páram por ai: o roteiro foi escrito pelo diretor e sua irmã, Fernanda Torres, e Elena Soárez. Mas o filme tem personalidade forte, principalmente na produção e na sua formatação, que imprime uma fotografia trabalhada e efeitos especiais competentes.

Claudio Torres, também diretor de comerciais, cria uma fábula ao contar a estória da amizade entre um jornalista (Pedro Cardoso) e um empresário (Miguel Falabella), tendo como pano de fundo a corrupção envolvendo a construção de um grande prédio residencial (a construtora faliu e a obra ficou inacabada). O tom místico vem ainda na figura do jornalista, que está convencido de que ouve o próprio Deus. Isso sem contar o fato de que os moradores de uma favela invadiram o edifício. O trailer da fita impressionava e, ao que consta, não foi alarme falso. Segundo o próprio diretor, a idéia não era fazer uma fita panfletária. Daí o toque exagerado em algumas seqüências. Mas o filme se sustenta enquanto crônica urbana fantástica e tem, como atrativo ao grande público, vários nomes conhecidos em seu elenco (José Wilker, Lúcio Mauro, Tony Tornado, Stênio Garcia e a sempre exuberante Camila Pitanga).