Por: Ronaldo Hung





O destaque do circuito esta semana fica por conta de “Táxi”, com Gisele Bündchen, e do suspense “Os Esquecidos”, com Julianne Moore. Além de filmes que estrearam na Mostra, que ganham os cinemas. Confira as estréias:
TAXI (Taxi, EUA/2004)
A estréia da top model Gisele Bündchen nas telas do cinema. Refilmagem de sucesso francês do diretor Luc Besson (Táxi – Velocidade nas Ruas, de 98). Quem assume a direção é Tim Story (Besson aparece como produtor), que será o responsável pelo filme do “Quarteto Fantástico” (baseado nos quadrinhos, com Jessica Alba no elenco).
Esta fita é um passatempo inofensivo, cheio de piadas e ritmo frenético. É entrar no clima e não raciocinar.

Misture “Colateral” com “Velozes e Furiosos” e eis o resultado. Jimmy Fallon (do humorístico Saturday Night Live) faz um policial atrapalhado que, ao perseguir um bando de assaltantes (cuja líder é Gisele), acaba no táxi da não menos amalucada Queen Latifah (de “Chicago”). Isto porque o tira teve sua carteira de motorista suspensa (por isso, vai fazer dupla com a taxista). Ou seja, não leve nada a sério. É pipoca mesmo. No elenco, presença da modelo portuguesa Ana Cristina de Oliveira e da veterana Ann-Margret (como a mãe de Jimmy). E Gisele na telona já vale o ingresso.

OS ESQUECIDOS (The Forgotten, EUA/2004)
Suspense estrelado por Julianne Moore (em papel previsto inicialmente para Nicole Kidman) e dirigido por Joseph Ruben (que fez “O Anjo Malvado”, com Macaulay Culkin, e “Dormindo com o Inimigo”, com Julia Roberts). Na trama, Julianne é uma mãe que não aceita a morte do seu filho e em crise na sua relação com o marido. Para complicar, seu psicanalista (Gary Sinise) insiste em afirmar que ela nunca teve um filho, que tudo não passa de imaginação de sua mente perturbada. O filme foi bem de bilheteria nos EUA, mas a crítica considerou-o dentro dos padrões, com os costumeiros e batidos clichês do gênero. Para se ter uma idéia, até o FBI entra no meio do filme e aquele clima de “conspiração” assume o enredo. Já dá para imaginar o resto... Sinal que algo se perdeu no caminho?

NINA (Idem, Brasil/2004)
Produção nacional exibida na Mostra de Cinema, que também levou o prêmio da crítica no Festival de Moscou, com bastante clima e produção caprichada no visual. A referência, segundo a crítica especializada, seria Crime e Castigo (de Dostoievski). Porém o diretor afirma que é mais uma citação, não uma adaptação. Que seja, pois o resultado é interessante e com um tom sombrio poucas vezes adotado no cinema nacional.

A atriz Guta Stresser (do humorístico da tv A Grande Família) interpreta com garra a protagonista, Nina, uma garota que vive em seu próprio mundo, que faz desenhos por onde passa (ilustrações do quadrinista Lourenço Mutarelli), tentando sobreviver numa grande metrópole como São Paulo. Os traços amargos e pouco amistosos de um cotidiano urbano estão presentes a todo momento, enquanto acompanhamos a trajetória da personagem, que vive em um apartamento alugado, junto com a pouco amistosa proprietária, até o seu envolvimento com um crime (não é difícil imaginar o desenrolar da trama). Com uma atmosfera meio dark, a la David Lynch, a fita tem um formato interessante, marcando a estréia na direção de Heitor Dhalia (que vem do meio publicitário). E é uma boa opção no circuito.

MENINOS DE DEUS (Dangerous lives of altar boys, EUA/2002)
Comédia que narra as aventuras de um grupo de alunos de uma escola interna católica. Como todo adolescente, há o tom de rebeldia contra o sistema escolar, os namoros e por ai vai. Mas o curioso é que os alunos criam uma revista em quadrinhos (chamada Atomic Trinity) onde eles são os heróis e os professores, naturalmente, os vilões. Daí reside o charme da fita. O filme brinca com a linguagem dos quadrinhos (inclusive o criador do personagem Spawn, Todd MacFarlane, produziu seqüências animadas). E tem um formato que irá agradar a um público já acostumado com o universo do cinema e gibis. No elenco, Kieran Culkin (irmão de Macaulyn) e Jodie Foster (que faz uma das professoras).

FABIO FABULOSO (Idem, Brasil/2004)
LÍNGUA - VIDAS EM PORTUGUÊS (Idem, Brasil/2004)
Dois novos documentários no circuito, um para quem curte surf e o outro abordando a língua portuguesa enquanto ponto de união. “Fábio Fabuloso” foi bem recebido na Mostra de Cinema e é o registro da vida e carreira de Fábio Gouveia, considerado o melhor surfista brasileiro de todos os tempos (também foi a escolha popular de melhor documentário no Festival do Rio). Acompanha-se campeonatos no Havaí e França, com imagens que agradarão aos apreciadores do esporte. Que, no fim das contas, é o público ao qual a produção é direcionada.

Já “Línguas – Vidas em Português”, como o próprio nome indica, é um documentário que colheu depoimentos em diferentes continentes, cuja ligação é o idioma falado (português). A produção foi a Portugal, Moçambique, Japão (nas comunidades), Índia e, é claro, Brasil. E não deixa de ser interessante, e até curioso, constatar que como a mesma palavra pode possuir diferentes sentidos, em função da “localidade”.