Prefeitura ameaça romper contratos e categoria volta ao trabalho

Sessenta e oito ônibus foram depredados e nove foram queimados em São Paulo, ontem, por grupos ligados aos perueiros, que paralisaram a circulação de 6.500 vans. Cerca de 2 milhões de pessoas foram prejudicadas. Dois mil perueiros ocuparam o Viaduto do Chá e a Praça do Patriarca, na frente do Palácio do Anhangabaú, e o tumulto se espalhou pelas ruas do centro. Nove ônibus foram apedrejados apenas no centro da cidade e os passageiros tiveram de sair às pressas. Dez pessoas ficaram feridas, entre perueiros e pessoas que estavam nos ônibus. Sete pessoas foram detidas. Os comerciantes tiveram de fechar as portas.

Depois de cinco horas de confronto entre a Tropa de Choque da Polícia Militar e cerca de 2 mil perueiros, a Prefeitura de São Paulo aceitou conversar com líderes dos perueiros, desde que o protesto fosse dispersado e os perueiros deixassem o centro da cidade. Uma comissão se reuniu na sede da Prefeitura, que à tarde teve de ser protegida por um cordão de isolamento feito pela Tropa de Choque da PM. Em nota distribuída à imprensa, a Prefeitura ameaçou romper os contratos e destituir as cooperativas, fazendo o pagamento direto aos perueiros e eliminando a intermediação, se não voltassem ao trabalho. À noite, a categoria decidiu encerrar a greve, segundo informação do advogado Bension Koslowisky, que representa a maioria das cooperativas.