Image Hosted by ImageMonster.org

Governo tenta controlar CPI; oposição reage e adia votação
Apesar da maioria de 19 votos a 13, governistas temem colocar seus nomes em votação

A tentativa do governo de assumir os postos-chave da Comissão Parlamentar de Inquérito dos Correios e assegurar o controle sobre seus trabalhos tumultuou ontem a primeira sessão da CPI, que terminou em impasse. Apesar de instalada, a falta de acordo não permitiu a escolha nem do relator nem do presidente.

A oposição resiste em ceder à manobra governista. "Isso significa pizza por antecipação", reclamou José Agripino Maia (RN), líder do PFL no Senado.
Mesmo tendo maioria na comissão, 19 contra 13, o governo preferiu não colocar em votação os seus nomes ontem e a definição sobre presidente e relator ficou para a terça-feira, dia marcado para o primeiro depoimento de Roberto Jefferson (PTB-RJ) -pivô da atual crise- no Conselho de Ética da Câmara.

"O relator vai ser o Roberto Jefferson", ironizou Efraim Morais (PFL-PB) diante do impasse. Pela tradição do Congresso Nacional, as vagas de presidente e relator cabem às maiores bancada da Câmara, no caso o PT, e do Senado, o bloco PSDB-PFL. Os governistas, no entanto, queriam escolher um nome domesticável da oposição para ocupar a presidência da CPI, o que não foi aceito por tucanos e pefelistas.
A oposição não abria mão de indicar o senador César Borges (PFL-BA) para um dos postos-chave. O problema é que ele não foi aceito pelo temor de que a comissão acabasse sendo controlada pelo senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA).

A base governista chegou a oferecer três outros nomes oposicionistas. Durante o dia, o líder do governo, senador Aloizio Mercadante (PT-SP), apresentou o nome do senador Edison Lobão (PFL-MA), que é do grupo do senador José Sarney (PMDB-AP). Além de ser aliado do governo, Lobão possuía duas diretorias do IRB (Instituto de Resseguros do Brasil), que eram acumuladas por Carlos Murilo Goulart Barbosa Lima. Ele foi afastado junto com os demais diretores nesta semana.

Mercadante também tentou emplacar Sarney ou sua filha, a senadora Roseana Sarney (PFL-MA), mas eles não aceitaram a incumbência. "Espetacularização e estrelismo seriam danosos à oposição. Apelo para fazermos a coisa com confiança mútua", defendeu Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB no Senado, que classificou a tentativa do governo de "tratoramento da maioria".

Tanto o governo quanto a oposição se acusavam de intransigência. "Não conseguiremos construir acordo em torno de nomes se não houver diálogo", disse Mercadante na sessão.

Negociações à parte, o senador atraiu, durante a sessão, apupos e coros de deboche de deputados quando fez referências a supostas práticas mais civilizadas do Senado em relação à Câmara. Citou várias vezes a "cultura do Senado", que seria diferente por apoiar-se em acordos.