'Era Schumacher' chega ao final com título de Alonso
Acostumado a recordes, Fernando Alonso conquistou mais um neste domingo. E foi no Brasil, terra de vencedores, mas que nunca havia visto a confirmação de um título mundial. Nunca a F-1 conheceu um campeão tão jovem. E o primeiro espanhol.
O título poderia ter vindo na última prova, na Bélgica, mas acabou concretizado em Interlagos, circuito pelo qual já passaram verdadeiras lendas da velocidade, mas que nunca havia assistido à consagração de um campeão. O título, que já vinha sendo desenhado desde o início arrasador da Renault em 2005, começou a ganhar cores no sábado, com a pole position. No domingo, Alonso não conseguiu manter a liderança da prova mas, com uma performance segura, manteve-se entre os três primeiros na maior parte da corrida. Terminando em terceiro, garantiu os pontos necessários para não ser mais alcançado até o fim da temporada. Com isso, ele lapidou os traços finais e passou a figurar na galeria de campeões mundiais de Fórmula 1. (leia mais sobre a prova)
Ao término da prova, o então adolescente de 19 anos, nascido em Oviedo, no norte da Espanha, revelou qual era o seu sonho. "Quero estar na F-1 no ano que vem". E foi isso que aconteceu, mas não da forma como ele esperava. Disputou a temporada 2001 com a frágil Minardi e não pontuou em nenhuma prova.
A campanha fez com que o promissor espanhol fosse "rebaixado" a piloto de testes na temporada seguinte, na então Benetton (que usava motores Renault e seria vendida para a fabricante francesa, mas apenas rebatizada em 2002). Sob a batuta de Flavio Briatore, diretor da equipe, desenvolveu suas habilidades com o carro com o qual viria a ser campeão.
O ano de testes fez com que Alonso amadurecesse e voltasse a ser titular em 2003, já pela Renault. Conquistou seus primeiros dois pontos na primeira prova, com o sétimo lugar na Austrália, mas viu a virada em sua carreira acontecer na etapa seguinte, na Malásia. "Esta pole foi muito importante. Melhor ainda que o pódio. Foi o princípio, um momento emocionante", conta, em seu site oficial.
E Alonso tinha razão. Em 2004, passou de aplicado a temido. Foi pole no GP da França, quando chegou em segundo. Ainda acabou em terceiro Austrália, Alemanha e Hungria, mas assistiu, assim como todos os demais competidores, à um "passeio" da Ferrari, que venceu 15 das 18 provas e garantiu o heptacampeonato para o alemão Michael Schumacher.
Assim, restou pouco espaço para o espanhol se destacar, que terminou em quarto, perdendo apenas para as Ferraris (o brasileiro Rubens Barrichello foi o vice) e para a BAR do britânico Jenson Button, único que demonstrou performance suficiente para tentar brigar com a escuderia italiana.
Os ferraristas já esperavam pela repetição do domínio em 2005, mas, dessa vez, quem roubou a cena foi a Renault e, claro, Alonso. A equipe ganhou as quatro primeiras corridas, com três conquistas do espanhol. E tudo parecia conspirar a seu favor. A Ferrari sofria e não conseguia se acertar. A Williams, com nova dupla de pilotos, não conseguia bons resultados. A McLaren quebrava demais e depois se ajeitou, principalmente com o finlandês Kimi Raikkonen, mas acordou tarde demais para brigar pelo título. Mostrou que tinha o carro mais veloz, mas não tão bom quanto o de Alonso.
Nove anos, dois meses e 14 dias depois do título no kart, Alonso, que sonhava em correr na F-1, se tornou o principal nome da categoria. A dúvida se existia alguém que pode superar Schumacher já foi tirada, e o espanhol, como já previa, está entre os grandes. Resta agora saber se ele será o novo "rei" da categoria. Mas, antes disso, ainda tem festa. Em Oviedo, sua terra-natal. E nas pistas de Japão e, finalmente, China, onde receberá, o troféu mais importante de sua galeria.
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