O Rappa foge do violão e banquinho no ´Acústico´
Banda lança CD e DVD desplugado, que leva a marca da MTV, traz duas canções inéditas, além de releituras do disco anterior e do lado B da carreira
O Rappa subverteu o conceito acústico. Pelo menos, em parte. Com novo projeto no mercado que leva o selo MTV (em parceria com a Warner) - o CD e DVD MTV Acústico O Rappa -, a banda carioca investiu, claro, numa cozinha musical desplugada, com uma mão a mais de percussão, além de uma gama de instrumentos de cordas, entre bandolins, craviolas, cavacos, e violas caipiras.
Mas Falcão, o vocalista, deu um chega pra lá no formato banquinho-violão e preferiu se esparramar sobre o pequeno palco do Espaço Locall, em São Paulo, onde o Acústico
foi gravado. Não que, de vez em quando, ele não apareça comportadinho dando uma levada à la Ben Jor no violão, como é possível conferir também no especial de TV, que será reexibido hoje, com novas reprises na sexta e no sábado.
A trupe, completada pelo guitarrista Xandão e o baixista Lauro Farias, abriu mão da releitura apenas dos grandes sucessos, contrariando uma premissa tradicional entre os adeptos do projeto acústico: a de regravar músicas que já são mais do que batidas. 'A gente respira muito o Silêncio Q Precede o Esporro (CD anterior do grupo) nesse acústico', diz Falcão. Sem contar no resgate de canções perdidas com o tempo nos CDs anteriores, como Brixton, Bronx ou Baixada, tirada do primeiro CD, e
Homem Amarelo, do álbum Lado B Lado A. Para quarteto, são essas e tantas outras canções tiradas do repertório antigo da banda que fazem o Acústico ganhar ares de ineditismo, sobretudo para o público mais jovem e aqueles que há tempos não vão ao show deles. 'Não precisamos reafirmar nada, precisamos dar uma olhada para aquela quantidade de músicas que não queríamos esquecer e estamos lembrando delas agora', afirma o vocalista.
Os sucessos revisitados são poucos. Tem, por exemplo, a ótima Pescador de Ilusões, levada na base do baixo acústico e de campainhas. Há ainda duas faixas inéditas, que estavam sendo reservadas para o próximo CD de estúdio: o samba-rock Na Frente do Reto e Não Perca as Crianças de Vista.
A banda ousa musicalmente
Saca de instrumentos, texturas, afinações e timbres diferenciados e harmoniosos. E dá-lhe pianos e órgãos; steel drum combinados com rabecas; cavaquinhos e bandolins a serviço de ritmos outros que não sejam o samba; da sincronizada orquestra de campainhas; de um gramofone nas funções de uma pick-up; entre outros recursos. 'A pesquisa de instrumento já vem ocorrendo há bastante tempo', explica Lobato. Segundo ele, não fazia sentido O Rappa aderir ao projeto acústico (idéia lançada convincentemente pelo saudoso produtor Tom Capone) se o grupo não pudesse aprontar das suas. 'É até chato para a gente fazer um simples acústico com violão. A idéia é continuar nosso processo de criação e colocar isso ao vivo', defende Xandão.
Para a sonoridade sair redondinha, fizeram uma comunhão dos trabalhos de profissionais da MTV e técnicos do estúdio Toca do Bandido, criado por Capone, que morreu no ano passado.
Capone, que assinou a produção do CD Silêncio Q Precede o Esporro, é lembrado hoje pela banda como o homem que incentivava inovações na musicalidade do grupo. Após a morte do amigo, eles voltaram a freqüentar a Toca, mas a sensação que fica quando estão lá é de que o produtor pode entrar chutando a porta a qualquer momento.
Carlos Eduardo Miranda, outro grande amigo de Capone, surgiu na história como o continuador do estilo Capone de atuar, pautado pela falta de amarras criativas, endossadas pela idéia de liberdade e pelas experimentações. 'Miranda veio como um cara que poderia organizar coisas em momento em que nós quatro não poderíamos', afirma Falcão. 'A gente perdeu Tom, entrou lá na Toca com Miranda e sabe que algumas pessoas conseguem voltar ali no estúdio até hoje, de coração, como nós, Lenine e Maria Rita.' A proximidade entre membros dessa confraria Toca do Bandido fez com que O Rappa conhecesse o trabalho de Maria Rita e vice-versa. A cantora, que faz participação especial neste disco, num duo com Falcão em Rodo Cotidiano, não tinha ouvido falar do grupo quando chegou dos Estados Unidos, onde morou por anos. Viu um clipe deles na TV e ficou primeiro o impacto visual. Só depois veio o impacto das letras e das músicas.
Falcão encontrou Maria Rita enquanto ela estava gravando seu segundo disco, com Lenine na co-produção. Ela lhe mostrou a gravação que fez de A Minha Alma e Falcão se derreteu. 'Aquela tranqüilidade na voz, mas com vontade... Era uma sonoridade que estou precisando muito.' Notoriamente politizado, O Rappa falou ainda sobre a referendo do desarmamento. Não quiseram dizer publicamente se são a favor ou contra o comércio de armas.
Manifestaram-se contra as armas, mas nem por isso se dizem favoráveis a este tipo de método de decisão pelo voto. 'Não quero me colocar quanto artista em campanhas que daqui a pouco não sei quem estará envolvido nelas', diz Falcão. Xandão propõe uma outra votação: 'Por que a gente não vota se concorda ou não com que está sendo feito no governo?
Mas Falcão, o vocalista, deu um chega pra lá no formato banquinho-violão e preferiu se esparramar sobre o pequeno palco do Espaço Locall, em São Paulo, onde o Acústico
foi gravado. Não que, de vez em quando, ele não apareça comportadinho dando uma levada à la Ben Jor no violão, como é possível conferir também no especial de TV, que será reexibido hoje, com novas reprises na sexta e no sábado.
A trupe, completada pelo guitarrista Xandão e o baixista Lauro Farias, abriu mão da releitura apenas dos grandes sucessos, contrariando uma premissa tradicional entre os adeptos do projeto acústico: a de regravar músicas que já são mais do que batidas. 'A gente respira muito o Silêncio Q Precede o Esporro (CD anterior do grupo) nesse acústico', diz Falcão. Sem contar no resgate de canções perdidas com o tempo nos CDs anteriores, como Brixton, Bronx ou Baixada, tirada do primeiro CD, e
Homem Amarelo, do álbum Lado B Lado A. Para quarteto, são essas e tantas outras canções tiradas do repertório antigo da banda que fazem o Acústico ganhar ares de ineditismo, sobretudo para o público mais jovem e aqueles que há tempos não vão ao show deles. 'Não precisamos reafirmar nada, precisamos dar uma olhada para aquela quantidade de músicas que não queríamos esquecer e estamos lembrando delas agora', afirma o vocalista.
Os sucessos revisitados são poucos. Tem, por exemplo, a ótima Pescador de Ilusões, levada na base do baixo acústico e de campainhas. Há ainda duas faixas inéditas, que estavam sendo reservadas para o próximo CD de estúdio: o samba-rock Na Frente do Reto e Não Perca as Crianças de Vista.
A banda ousa musicalmente
Saca de instrumentos, texturas, afinações e timbres diferenciados e harmoniosos. E dá-lhe pianos e órgãos; steel drum combinados com rabecas; cavaquinhos e bandolins a serviço de ritmos outros que não sejam o samba; da sincronizada orquestra de campainhas; de um gramofone nas funções de uma pick-up; entre outros recursos. 'A pesquisa de instrumento já vem ocorrendo há bastante tempo', explica Lobato. Segundo ele, não fazia sentido O Rappa aderir ao projeto acústico (idéia lançada convincentemente pelo saudoso produtor Tom Capone) se o grupo não pudesse aprontar das suas. 'É até chato para a gente fazer um simples acústico com violão. A idéia é continuar nosso processo de criação e colocar isso ao vivo', defende Xandão.
Para a sonoridade sair redondinha, fizeram uma comunhão dos trabalhos de profissionais da MTV e técnicos do estúdio Toca do Bandido, criado por Capone, que morreu no ano passado.
Capone, que assinou a produção do CD Silêncio Q Precede o Esporro, é lembrado hoje pela banda como o homem que incentivava inovações na musicalidade do grupo. Após a morte do amigo, eles voltaram a freqüentar a Toca, mas a sensação que fica quando estão lá é de que o produtor pode entrar chutando a porta a qualquer momento.
Carlos Eduardo Miranda, outro grande amigo de Capone, surgiu na história como o continuador do estilo Capone de atuar, pautado pela falta de amarras criativas, endossadas pela idéia de liberdade e pelas experimentações. 'Miranda veio como um cara que poderia organizar coisas em momento em que nós quatro não poderíamos', afirma Falcão. 'A gente perdeu Tom, entrou lá na Toca com Miranda e sabe que algumas pessoas conseguem voltar ali no estúdio até hoje, de coração, como nós, Lenine e Maria Rita.' A proximidade entre membros dessa confraria Toca do Bandido fez com que O Rappa conhecesse o trabalho de Maria Rita e vice-versa. A cantora, que faz participação especial neste disco, num duo com Falcão em Rodo Cotidiano, não tinha ouvido falar do grupo quando chegou dos Estados Unidos, onde morou por anos. Viu um clipe deles na TV e ficou primeiro o impacto visual. Só depois veio o impacto das letras e das músicas.
Falcão encontrou Maria Rita enquanto ela estava gravando seu segundo disco, com Lenine na co-produção. Ela lhe mostrou a gravação que fez de A Minha Alma e Falcão se derreteu. 'Aquela tranqüilidade na voz, mas com vontade... Era uma sonoridade que estou precisando muito.' Notoriamente politizado, O Rappa falou ainda sobre a referendo do desarmamento. Não quiseram dizer publicamente se são a favor ou contra o comércio de armas.
Manifestaram-se contra as armas, mas nem por isso se dizem favoráveis a este tipo de método de decisão pelo voto. 'Não quero me colocar quanto artista em campanhas que daqui a pouco não sei quem estará envolvido nelas', diz Falcão. Xandão propõe uma outra votação: 'Por que a gente não vota se concorda ou não com que está sendo feito no governo?
Fonte: O Estado de S.Paulo - Caderno 2
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