CINEMA

Lançamento de "O Código da Vinci" nos cinemas provoca angústia na Opus Dei

Organização conservadora teme ter sua imagem ainda mais afetada

Quando "O Código da Vinci" se tornou um sucesso editorial, os líderes da organização católica Opus Dei perceberam que tinham nas mãos um problema de imagem. O assassino no best-seller de suspense é um monge albino da Opus Dei chamado Silas, e o grupo é retratado como uma seita poderosa, mas cercada de sigilo, cujos membros praticam a autotortura ritualística. Em um prefácio intitulado "O Fato", Dan Brown disse que o livro era mais do que mera ficção.

Quando foram revelados os planos para o lançamento de um filme baseado no livro, os líderes da Opus Dei tentaram persuadir a Sony Pictures a retirar qualquer menção ao grupo, e enviaram uma carta ao estúdio no ano passado, afirmando que o livro é "uma distorção grosseira e uma grave injustiça". Os esforços da organização não deram em nada.

Com a estréia do filme, cujo astro é Tom Hanks, marcada para 19 de maio, a Opus Dei está tentando saciar o interesse público e apresentar o grupo de uma forma bem diferente daquela como é descrita no livro: o lar religioso de um assassino ficcional.

O grupo está promovendo um blog por meio de um padre da Opus Dei em Roma, reformulando o seu site e até promovendo entrevistas com um membro que seria o único "Silas real" na Opus Dei --um corretor nigeriano de fundos públicos que mora no Brooklyn.

Silas Agbim, o corretor, diz que a Opus Dei ensina os seus membros a se comportarem segundo os mais altos padrões. "Se você fizer bem o seu trabalho, estará agradando a Deus", afirma Agbim, que é um pai, de cabelos grisalhos, de três filhos adultos, sendo casado com uma professora de biblioteconomia. "E se alguém pensa que se tornará santificado se recitar dez rosários por dia e fizer o seu trabalho de forma descuidada, está completamente equivocado". Agbim diz que leu o livro, e garante: "É um veneno. Ele influencia aquelas pessoas que têm dúvidas na mente".

Mesmo assim, o filme "O Código da Vinci" com certeza reavivará um antigo debate entre os católicos sobre se a Opus Dei se constitui em uma influência positiva ou negativa para a Igreja. Os críticos dizem que embora o grupo seja relativamente pequeno, alguns dos seus membros ocupam postos importantes no Vaticano --incluindo o de porta-voz do papa.