Torçam. Eles podem se superar
O U2 entra hoje para seu primeiro show no Morumbi, sete anos depois, mais criativo que da vez anterior
Todo show do U2 é uma celebração, como convém a uma das bandas eleitas entre as maiores da história. Não só pelo volume de público, mas em relação à qualidade artística e ao engajamento em grandes causas humanitárias - o que só faz aumentar o fã-clube, com gente de 20 a 50 anos, num círculo conseqüente. A diferença é que a banda de origem meio irlandesa (o vocalista Bono e o baterista Larry Mullen Jr.) e meio inglesa (o guitarrista The Edge e o baixista Adam Clayton) volta agora ao Brasil em melhor momento do que o anterior.
Daquela primeira vez, o quarteto atravessava uma fase de transição, com investidas na música eletrônica, nem sempre bem-sucedidas, resultando tanto em um de seus melhores álbuns (Achtung Baby, de 1991), como também no mais fraco, Pop(1997), base do repertório daquela turnê. Nesse meio tempo, o U2 recuperou sua soberania, amadurecendo artisticamente e, numa remissão às origens, voltando aos seguros braços do eterno rock-and-roll com o ótimo álbum All That You Can´t Leave behind (2000). Na trilha reaberta, seguiu-se o bom How to Dismantle an Atomic Bomb
(2004), base da turnê atual.
Uma das vantagens do U2 sobre outras bandas é que faz bom uso do poder de idolatria para oferecer algo além do esperado. No show de Chicago, foi buscar lá do primeiro álbum coisas obscuras como a dobradinha An Cat Dubh/Into the Heart, não incluída no roteiro do México (até sexta-feira a produção brasileira não tinha divulgado o repertório a ser apresentado no Morumbi). Diferentemente da anterior
Elevation Tour, que chegou aqui só em DVD, nesta Bono e seus companheiros decidiram recuperar jóias esquecidas como as duas citadas, Cry e The Electric Co., do álbum Boy, de 1980, e a melancólica 40, que encerra o show, já no bis. Tomara que aqui também não fique só nos hits, que aparecem em profusão.
Bono discursa um bocado entre uma música e outra e mais longamente antes de One, pregando pela fé no futuro, pelos sonhos de cada povo, etc. No final de Running to Standstill há até uma leitura de alguns itens da Declaração dos Direitos Humanos feita por uma mulher, projetada no telão. 'Os sonhos de cada um são iguais sob os olhos de Deus', prega Bono.
Outra passagem de grande impacto visual e de comoção acompanha Where the Streets Have no Name, quando parece que palco e platéia, sob um banho de luz intensa, parecem entrar em erupção. Entre os hits, afora New Year´s Day, que se parece muito com o original, as outras ganham novo fôlego. Sunday Bloody Sunday, Pride (in the Name of Love), Where the Streets Have no Name, One, como não poderia deixar de ser, são os momentos em que o público mais interage com o grupo.
No bloco final se concentram Zoo Station, The Fly e Mysterious Ways, três canções do álbum Achtung Baby, que parecem menores diante das demais, mas ainda assim confirmam sua força. Uma das qualidades do roteiro que o U2 montou no início da turnê estava no fato de equilibrar todas as fases, com canções antigas e um punhado de novidades. Oito canções de How to Dismantle an Atomic Bomb,in- cluindo a linda Yahweh, estavam no set list original. Como no México tudo mudou, só resta aos brasileiros ficar na torcida. De qualquer maneira, esta volta do grupo tem trunfos de sobra para superar a anterior.
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