Alckmin leva eleição para segundo turno

Favorito para vencer a disputa até poucos dias atrás, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta Geraldo Alckmin (PSDB) na segunda etapa, em 29 de outubro. Pesquisa Datafolha prevê uma situação próxima do empate técnico para o segundo turno: Lula tem 49%, contra 44% de Alckmin.

Lula alcançou 48,61% (46.661.741) dos votos válidos; Alckmin (PSDB-PFL), 41,64% (39.968.167); Heloísa Helena (PSOL-PSTU-PCB), 6,85% (6.575.353); e Cristovam Buarque (PDT), 2,64% (2.538.833). Ana Maria Rangel (PRP) tinha 0,13% (126.402); José Maria Eymael (PSDC), 0,07% (63.294); Luciano Bivar (PSL), 0,06% (62.064); e Rui Costa Pimenta (PCO), 0,00%.

Por outro lado, desacreditado até por aliados, mas dono de uma persistência notável, Alckmin cresceu na faixa de 5 a 10 salários mínimos e disparou na Região Sul.

O presidente do TSE, Marco Aurélio Mello disse esperar uma disputa de alto nível, apesar da existência de ações para impugnar as candidaturas de ambos. No caso de Lula, há uma investigação para verificar se ele teve envolvimento com o episódio da venda do dossiê contra tucanos. Contra Alckmin, foi protocolado no sábado um pedido para que sejam apuradas uma série de supostas irregularidades, entre as quais, suspeita de caixa dois. As ações somente devem ser analisadas pelo TSE no próximo ano.

Marco Aurélio evitou falar sobre a eleição de políticos como Paulo Maluf, para a Câmara dos Deputados, e seu primo, o ex-presidente Fernando Collor de Mello, para o Senado. "Tivemos a manifestação dos eleitores. Essa manifestação deve ter a maior eficácia . Reconheçamos a vontade dos eleitores", afirmou. Mas acabou se manifestando sobre o retorno à Câmara de candidatos suspeitos de envolvimento em esquemas como mensalão e sanguessuga. "Como presidente do TSE eu tenho de reconhecer a realidade, o resultado das urnas. Como cidadão, posso me sentir um tanto decepcionado, frustrado", disse.

Lula começou a perder votos em setembro, quando o escândalo da compra de um dossiê por assessores petistas presos pela Polícia Federal foi explorado à exaustão pelos oposicionistas. Como um refrão repetido a várias vozes, a pergunta “de onde saiu R$ 1,7 milhão para comprar o dossiê?” tomou conta de um embate desprovido de projetos de governo.