"Tróia" é épico decente com bom resultado na tela

Por: Rubens Ewald Filho
Um blockbuster de Hollywood pode arruinar sua carreira comercial, ao menos na Europa, caso fracasse em Cannes, mesmo fora de competição. Essa foi uma experiência triste para muitos filmes, como o de abertura no ano passado, "Fan Fan la Tulipe", e "Godzilla". Mas o inverso também é verdadeiro: um bom filme exibido aqui em Cannes ganha um grande prestígio, como "ET", de Spielberg, ou "Thelma e Louise".

Por isso a Warner se arriscou com "Tróia" e aparentemente acertou. O filme que estréia esta semana no mundo inteiro é um épico decente, bem-feito, que sempre interessa. E que não exagera nos efeitos digitais (na verdade, poucos: só para aumentar as multidões nas batalhas e para vistas gerais de navais e ancoradouros. Nesse ponto, é muito melhor do que "Gladiador", em que todas as lutas eram artificialmente aceleradas, mal se podia perceber os atores lutando. Em "Tróia", a cena-clímax da luta entre Heitor (Eric Bana) e Aquiles (Brad Pitt) é feita de forma realista, convincente, e parece que a história de que os dois se machucaram bastante na rodagem não é conversa fiada.

O bom resultado de "Tróia" se deve certamente ao diretor alemão Wolfgang Petersen ("História sem Fim", "Inimigo Meu"), que acabou se tornando um grande técnico, um sujeito que sabe contar uma história com garra e competência. O roteiro é inspirado na "Ilíada", de Homero, e toma certas liberdades com a lenda. Não há interferência ou participação dos deuses (segundo eles, porque não quiseram embarcar na fantasia que na tela poderia resultar ridícula). Na verdade, o filme todo procura ser realístico e, por isso, foi rodado no México e Malta, que parecem mais a atual Turquia, onde, segundo a produção, teria existido Tróia.
Fonte: UOL Cinema