Outras estréias da semana nas telonas

Documentário mostra carreira de fotógrafo brasileiro
Boa parte da história recente do Brasil passou pelas lentes do fotógrafo baiano radicado no Rio de Janeiro Evandro Teixeira. É o que prova o documentário Evandro Teixeira - Instantâneos da Realidade. O documentarista estreante Paulo Fontenelle acertou em cheio no seu tema e entrevistados. Teixeira e diversas pessoas que foram fotografadas por ele têm histórias saborosas para contar.

Desde que começou sua carreira como fotógrafo, em 1958, no jornal Diário da Noite, Teixeira acompanhou e clicou os principais eventos políticos, esportivos e sociais que aconteceram no Brasil desde então.

Em 1994, teve seu currículo incluído na Encliclopédia Suíça de Fotografia, na qual estão registrados os fotógrafos mais importantes do mundo, como Henry Cartier-Bresson. Diversas obras suas estão espalhadas em acervos de museus e galerias, como o de Belas Artes em Zurique, Masp e Museu de Arte Moderna do Rio.


Minha Mãe Gosta de Mulher é versão light de Almodóvar
Do mesmo modo que o espectro de Quentin Tarantino parece assombrar todos os thrillers policiais feitos nos Estados Unidos, o fantasma de Pedro Almodóvar está presente em qualquer comédia espanhola amalucada. Incluindo não uma, mas duas atrizes comumente vinculadas aos trabalhos do diretor espanhol, Minha Mãe Gosta de Mulher lembra algo como um "Almodóvar light".

Mas o filme criado pela dupla de diretoras e roteiristas Inés Paris e Daniela Fejerman não deixa de garantir ao espectador alguns prazeres, incluindo uma atuação fascinante de Leonor Watling (Fale Com Ela).

A premissa básica do filme - que tem tudo para virar a de alguma sitcom norte-americana futura - mostra a saída do armário de Sofie (Rose Maria Sarda), uma famosa pianista erudita que revela sua condição de lésbica a suas três filhas adultas.

O choque dessas é agravado pelo fato da namorada da mãe, a também pianista Eliska (Eliska Sirova), ser uma tcheca belíssima que tem a metade da idade da mãe. Quando as filhas descobrem que a mãe também legou muito dinheiro à namorada, deixando pouco para elas, elas decidem fazer o relacionamento naufragar.


Irlandesa usa canções de Tom Jobim em Todas as Cores
Para a irlandesa Liz Gill, diretora de Todas as Cores do Amor, conhecer o Brasil foi uma espécie de ritual. Especialmente pelo fato de ter usado na trilha desse que é seu segundo filme quatro clássicos de Tom Jobim - Desafinado, Lamento no Morro, Águas de Março e Amor em Paz.

Todas as Cores do Amor, uma mistura de vários romances: de um professor (Sean Campion) conquistador de alunas mais jovens que se apaixona por uma colega da mesma idade (Jean Butler), de duas mulheres (Flora Montgomery e Fiona OShaughnessy) e dois homens (Keith McEerlean e Peter Gaynor) e dos ex-namorados e namoradas de quase todos eles.

O título original ("Goldfish Memory") remete à curtíssima memória do peixinho dourado - ironizada na personagem Dory do desenho Procurando Nemo - e que serve como metáfora para a fragilidade do amor. E também para dizer que, para curar a dor de uma paixão, só mesmo outra.