Por: Ronaldo Hung



 
 
Fim de semana em clima de eleições. No circuito dos cinemas, destaque para a continuação de “Rios Vermelhos”. Quem prefere comédia romântica teen, a escolha é “A Nova Cinderela”.

RIOS VERMELHOS 2 - ANJOS DO APOCALIPSE (Les Rivières pourpres 2 - Les anges de l'apocalypse, França/2004)
Outra continuação estreando no circuitão, desta vez de “Rios Vermelhos” (The Crimson Rivers, de 2000), estrelado por Jean Reno e dirigido por Mathieu Kassovitz (de “Na Companhia do Medo”, com Halle Berry e Penélope Cruz). Um ótimo thriller policial com toques góticos, já disponível em dvd, que tem em seu currículo 5 indicações ao prêmio Cesar (o Oscar da França): direção, fotografia, edição, trilha e som. Uma boa sugestão para quem não conhece a fita, que tem clima e tensão para uma boa sessão em casa.

Esta produção tem assinatura de Luc Besson no roteiro. Reno repete o personagem Niémans e desta vez há a inclusão de um policial novato (Benoite Maginel, de “A Professora de Piano”, premiado em Cannes). Embora a crítica considere essa seqüência inferior ao original, ainda assim é uma boa opção, principalmente para quem curte o gênero policial e suspense com toque francês no tempero. A tradicional dose de ação também está garantida. E Jean Reno é sempre um bom ator, conseguindo injetar o seu toque pessoal à história. Ainda no elenco, a marcante presença de Christopher Lee (o mais famoso Drácula do cinema e também presente na trilogia Senhor dos Anéis).

A NOVA CINDERELA (A Cinderella Story, EUA/Canadá, 2004)
De tempos em tempos o cinema refilma o clássico conto dos irmãos Grimm, Cinderela (ou Gata Borralheira). Ou pelo menos utiliza o tema como ponto de referência nos roteiros. Há poucas semanas, estava em cartaz uma produção com Julia Stiles (“Um Príncipe em Minha Vida”), que não deixava de ser uma variação.

A incursão nesse tema às vezes resulta em um bom filme, como no caso de “Para Sempre Cinderela” (“Ever After”), com Drew Barrymore, que gerou uma simpática produção, disponível em dvd. Agora entra em cena esta nova fita, meio que “atualizando” a fábula para os dias de hoje. A borralheira da vez é a interessante Hilary Duff (a mocinha do primeiro “Agente Teen”, bastante popular nos EUA). Tal qual nossos novelões, ela sofre, sofre e acaba com o galã (Chad Michael Murray). Nada de novo no universo da garota (amigas descoladas que a desprezam, brigas com a família, e coisas assim). Dependendo da mão do diretor, pode até render uma matinê descompromissada.

PAIXÃO À FLOR DA PELE (Wicker Park, EUA/2004)
Esta é a refilmagem de L'Appartement, produção francesa de 1996, que era estrelada pela bela Monica Bellucci. Na versão americana, quem assume o papel é a não menos bela Diane Kruger (que fez Helena na superprodução “Tróia”). Em entrevista, a atriz já revelava que o original era um thriller com muito mais clima (e parece que perdeu-se um pouco do suspense). Até por uma questão de formato, pois o cinema americano sempre deu preferência às montagens mais ágeis. São duas coisas diferentes, o universo francês e o americano (em termos de cinema).

Mas a história original já lembrava o clássico “Um Corpo que Cai”, de Hitchcock: um jovem acredita ter visto um antigo amor em uma cafeteria e passa a segui-la. O velho tema do amor obsessivo, compulsivo, levado ao limite. Daqueles de tirar o sono. Não que esse filme seja tão bom, mas, obviamente, há uma reviravolta no meio da fita e aquele clima “voyeur” que acaba despertando interesse. Curiosidade: entre as escolhas iniciais para o papel principal masculino figuravam os nomes de Brendan Fraser (de “A Múmia”) e Freddie Prinze Jr. (de “Scooby Doo”), além de Paul Walker (de “Velozes e Furiosos”).