SEM MÁSCARA

Prostitutas defendem que profissão seja regulamentada

“Precisamos vencer nossos estigmas, e para isso é preciso assumi-los", diz Gabriela da Silva, da Rede Brasileira de Prostitutas, ao explicar porque não quer ser chamada de profissionais do sexo.

“Eu sou prostituta”. Essa não é, sem dúvida, uma frase fácil de se dizer. Especialmente diante de mais de 200 pessoas. Mas foi assim que Gabriela da Silva, coordenadora da Rede Brasileira de Prostitutas, começou sua palestra no 5º Fórum Social Mundial. E completou: “não exerço hoje a profissão, mas não sou uma ex-prostituta, assim como não é “ex” o advogado que se aposenta”. É aposentada. Não ganha aposentadoria porque não tem direito a ela – aliás, essa é uma das lutas do movimento das prostituas no Brasil.

Apesar da temperatura elevada, o auditório permaneceu cheio (com a platéia encantada, emocionada, instigada) até que a última das mais de vinte perguntas fosse respondida. Tanto interesse não é de se estranhar: apesar de ser uma das profissões mais antigas do mundo, “só perdendo para a de mago e a de sacerdote”, como brincou o sociólogo Gey Espinheira, essa questão raramente é abertamente discutida – especialmente pelas próprias prostitutas.

Apesar do nome da atividade, “Construindo a cidadania: experiência da rede brasileira de profissionais do sexo”, Gabriela logo esclareceu que, desde o último planejamento estratégico, em outubro do ano passado, a rede resolveu trocar o nome de “profissionais do sexo”, para o de “prostituta”. “Precisamos vencer nossos estigmas, e para isso é preciso assumi-los. O primeiro deles é o nome”, explica Gabriela. E completa: “eu adoro todos os nomes que já nos deram, prostitutas, meretrizes... O meu preferido é puta”.

A rede brasileira de prostitutas, que hoje é formada por 25 associações, surgiu oficialmente em 1986 em um Congresso realizado no Rio de Janeiro. Sua missão é promover a articulação política do movimento organizado de prostitutas e o fortalecimento da identidade profissional da categoria, visando o pleno exercício da cidadania, a redução do estigma e da discriminação e a melhoria da qualidade de vida na sociedade.